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sexta-feira, 18 de junho de 2010

O trabalho dignifica o homem

Essa frase é um ditado popular e, como todos eles, repetido como um mantra quando alguém não quer trabalhar ou não gosta do que faz. Dizê-lo atribui ao trabalho um significado bem mais amplo do que simplemente "pôr comida em casa" ou "poder comprar minhas coisas". Ignora-se, um pouco, o aspecto Capitalista-Produtivo do trabalho e confere-se ao trabalho a cracterística de fazer de quem o executa, qualquer que seja ele, uma pessoa melhor.

A visão positiva do trabalho, entretanto, é relativamente recente. No mundo pré-Revolução Industrial, o trabalho era coisa de subalternos e escravos. Os nobres dedicavam-se, sim, ao "ócio produtivo", mais especificamente, pensar. Ninguém os acordava cedo perguntando: "E aí, não vai fazer nada de útil da sua vida, não?", pois o fato de ele estar vivo já era muito útil. As mocinhas dividiam seu dia entre bordados, lições de piano, longas pestanas na rede. As senhoras davam ordem a seus escravos/empregados e supervisionavam o andamento da casa, preocupando-se apenas com seu marido chegar em casa e encontrar tudo bem organizado.

Se o trabalho como algo necessário a todos e dignificador da sociedade é tão recente, posso, sim, dizer sem o mínimo pudor que não gosto de trabalhar. Simples assim. Não é que eu não goste do que faço, eu gosto de dar aulas e, modéstia à parte, sou uma professora muito boa. É que realmente acredito que qualquer coisa, se recebe o nome de trabalho, fica desagradável. É sério! Eu adoro ler (formada em Letras, era de se esperar), mas se alguém me oferecesse um salário para ler, sei lá, dez livros por mês, provavelmente no início seria o paraíso, mas logo se tornaria um suplício por ser trabalho.

Mas e aí, Elisa, que que você quer, então?

De verdade? Quero que meu marido passe em um bom concurso, em que ele receba um salário decente para manter nossa família e que eu possa ser como as mulheres de outrora: cuidar da minha casa, educar meus filhos. E fazer o que amo, dar aula, como um prazer e não como uma obrigação.

Sonhar não custa nada...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Pausa - avaliações

Hoje se faz imperioso que eu dê uma pausa nos assuntos românticos. Sim, é preciso. Essa semana houve, na instituição em que ministro aulas, uma avaliação subjetiva, em que aparecem os nomes dos professores e os alunos escrevem o que pensam sobre as aulas.

Duas pérolas PRECISAM ser mencionadas:

1) Quanto ao meu amado noivo, disseram que o perfequissionismo dele tornava a aula interessante. Em tempo: pelo amor de Deus, perfeccionismo.

2) Disseram que a professora Elisa (euzinha) encina coisas desnecessárias. De fato, para alguém que escreve ensina com "c", ensinar gramática não adianta nada. Precisarei substituir minhas aulas por aulas de ortografia.

É isso. Precisava desabafar, hehe!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Pérolas - 2º ano

Essas foram retiradas das provas dos meus alunos do 2º ano:

1) A falta de água é um problema que só a água pode resolver.
2) A água é um elemento que causa diversos tipos de seca.
3) A seca, na América, está diretamente relacionada ao El Niño.
4) Eu sou a favor das células-tronco.
5) Brasília é uma cidade na qual a maior parte dos bens consumidos são importados.
6) As pessoas se esquecem de fechar uma simples torneira, algo tão simples, que pode trazer enormes danos ao mundo.
7) Proibir as pesquisas seria um enorme obstáculo para as ciências da vida e biológicas.
8) É um estudo que pode gerar tanto desentendimento à sociedade quanto uma guerra, então para que iremos "cutucar nas fezes", como diz o provérbio, "isso irá feder".
9) Os embriões que fornecem embriões às pesquisas não têm alternativas.
10) Sorte tem Deus, que é amor; sorte tem o amor, que é cego.
11) Se existem lugares onde a seca predomina, por que não instalar reservatórios e mananciais nesses locais?
12) Muitas pessoas no mundo nascem ou adquirem algum tipo de deficiência.

Professor sofre, mas se diverte...

Alguns pontos de vista interessantes trabalhados:

Sobre o desperdício de água:

Desperdiçar água é a melhor coisa que o ser humano pode fazer; assim, ela logo será um bem muito escasso, o que fará com que a espécie humana desapareça do planeta, salvando a Terra.

Sobre as células-tronco:

Ao utilizar células-tronco de embriões, está-se tirando o direito à vida que ele possui, para salvar uma pessoa que talvez nem mereça tanto assim.

As pesquisas com células-tronco embrionárias devem ser proibidas, pois se elas prosseguirem seriam encontradas curas para diversas doenças, o que aumentaria o número de pessoas na Terra, impedindo as doenças de cumprirem seu papel social: controle de população.




Éééééé, pooooovo.... É assim mesmo... Foi uma rodada bem divertida de correções... Não se preocupem, vou compartilhar todas a partir daqui.

=)



terça-feira, 25 de março de 2008

Apresentação de redações no 2º ano

Hoje, no segundo ano, decidi olhar os blocos de redação dos meus alunos. Eis algumas das melhores coisas que ouvi:

"- Pô, professora, considera pelo menos a metade! Eu fui buscar a sua água!"

"- Professora, ontem eu fui para a parada de ônibus e aconteceu uma coisa terrível: o bloquinho caiu numa poça de lama... Mas o pior não é isso, professora. Não era o MEU bloquinho, era o da minha amiga"

"- A professora do ano passado fugiu com meu bloquinho" (E o pior: eu SEI que isso é verdade)

"- Eu trouxe em TODAS as outras aulas, professora, TODAS! Só esqueci hoje..."

"- Como assim, não aceita, professora? Essa redação tem três parágrafos brilhantes, apesar de cada um só ter duas linhas..."

"- Professora, a senhora confia em mim? Então nem precisa olhar os textos, né?!"

"- Eu sei que parece desculpa, mas o meu cachorro, o Luke, roeu meu bloquinho inteiro ontem à noite, nem tinha como tirar cópia, né?!"

"- Posso te mandar por e-mail?"


Professor sofre...



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terça-feira, 18 de março de 2008

O desejo de voar é atemporal?

Na 6ªA do Galois, numa aula de interpretação de texto:

Eu: Pessoal, a temática do desejo de voar, essa da história de Ícaro e Dédalo, é atemporal. A humanidade, em todas as épocas, manifestou o desejo de poder voar, como as aves.

Marcus: Eu nunca tive vontade de voar!!

Sérgio: Sim, porque agora você é toda a humanidade, né?!





Arrasou na tirada...





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Semana passada...

Sala 3 do ALUB Asa Norte, turno vespertino:

Eu: Eu não sou mãe, mas imagino que nada seja pior do que perder um filho...

Aluno no fundão: Tem sim, professora! Perder dois...







Isso é ser professora............